Uma vez, numa praça qualquer de uma conceituada cidade do interior paulista, eu vi um casal de idosos sentado em um daqueles extensos bancos típicos de praças centrais cuja base é feita de concreto e o assento de madeira. Era uma praça arborizada, se não da mesma idade do casal, mais velha, com as raízes das árvores sugando a energia da terra pra florescer oponente as cópas sombreando toda a praça. A senhora com os braços debruçados no colo, cruzados, segurando uma bolsa listrada de prata e preto, quanto ao senhor, de terno e um casaco de lã verdes, tal a cor do mar em dias de chuva, e o seu tronco levemente inclinado a ela, como quem procura se aproximar e trocar calor humano já que as mãos não se atam, ora por segurar uma bengala e de mão fechada segurar um ramo de flores, ao que me parece, de laranjeira.
Ela sai e o senhor, na mesma posição, de os olhos estatelados no horizonte que cheguei a pensar que estivesse cochilando. Lá ficou até o retorno da vossa senhora e papéis de loteria. Lá o casal ficou. Não faziam nada! Pareciam duas figuras de uma peça de teatro minimalista com gestos futuristas (não fazer nada), numa interminável ação da vida. Eu poderei me conhecer como mero observador, mas é estranho isso se estava tão comovido com o momento e, assim, sendo praticamente um agente. De tal forma que me lembrei de uma leitura, ou somente de algumas palavras, de uma história parecida. E como disse a autora desse texto, eu como acompanhante “de tudo tive um pequeno aperto no coração e uma inexplicável e rápida vontade de chorar. Gente simples, ingênua e feliz às vezes provoca essas reações bobas.”
Não é regra geral, nem é uma regra de fato, apenas uma agulha pra cutucar. Por ora, as vezes não fazer nada é a melhor coisa a se fazer. Cito Rubem Alves: “Quando não se há mais nada a fazer, ainda resta uma coisa, não fazer nada.”
não há nada e ao mesmo tempo há tudo.
ResponderExcluirAdorei o texto, é de uma simplicidade cativante.
ResponderExcluirÉ como disse a Tati, não há nada e ao mesmo tempo há tudo.
Beijo.