Hoje já é amanhã, mas permita-me estender essa madrugada como se ainda fosse quarta-feira, dia 15. Afinal as madrugadas até o momento após dormimos, sempre soam como o dia ativo em que estamos vivendo, não o tempo real regido pelas horas, minutos, segundos, etc. E apesar de ter me dispensado do dia 15 há pouco mais de 2h, cá estou de volta com a sensação de que o dia não acabou.
Sim, hoje dia 15 de abril, quarta-feira, é aniversário da ex-namorada e isso por si só acarreta algo especial nesta data. É de se viver com tensões e aguardar ansioso pelo envio dos seus parabéns. O francês nesse momento foi conivente e me auxiliou numa mensagem simples, sincera e no mínimo original.
Na madrugada desse dia, numa conexão discada, algo que já desconhecia do meu mundo, a internet se fez presente novamente. Aguardo ansioso o Speedy e só! Nos bate papos do MSN – Mundo Simpático para Nós – o irmão por tratamento informa o cancelamento de algo que muitos anseiam mais do que um Speedy, o espetáculo da Denise Stocklos . Basta!
No inicio desse dia, logo cedo recebo uma ligação de Titia recordando-me de algumas vivências passadas, histórias que ela ficou sabendo depois e precisava conversar com a personagem dela. Uma das personagens, por sinal, era eu. Que seja, o que importa é que Titia confirmou o inesperado e já sabido a respeito da identidade de um conhecido. De fato ele era, mas não me reconhecer dormindo na sala quando chegou bêbado e me assediar com carinhos no cotovelo, é no mínimo, hilário.
O dia passa, o aparelho do Speedy chegou. Olha que maravilha! E eu aqui sofria com a Claro 3G Fax/Modem, mas agora com um Speedy de 2mbps. Numa ânsia a toa, há de se esperar 7 dias para a liberação do sinal. Pelo menos, até então seriam 500kbps, só que ainda antes de Titia ligar, Telefônica liga e confirma a outra velocidade medida por Mbps – quantidade de megabytes transmitida de um CPU para outro por século. Well, que seja, isso é uma notícia boa.
Nada convém, hora de cancelar com as pessoas o espetáculo. Então, sem internet de gente grande, é bom sair mais cedo passar na Lan e resolver os grandes problemas. Apesar de ser chato, todos estão avisados e me sinto livre para partir para outra. Perdi o bendito ônibus, não tem problema o próximo também serve. Só que dessa vez não deu! Na verdade são dois ônibus, um para ir até Mairinque e outro para Sorocaba a ser pego no meio do caminho. Infelizmente um passou o outro e tive que esperar aproximadamente uma hora nessa cidade de nome engraçado. Qual delas? Verdade! É MK.
Após encontros e desencontros com ex's (ex-alunos), finalmente chega o próximo ônibus para Sorocaba. Vazio, olha que maravilha novamente! Só que o universo conspira os destinos e o dia acaba ficando perigoso. Eu, dentro do ônibus, alocado no banco a frente do cobrador nos solavancos comuns recebo uma ligação de pessoas amistosas, dessas que você fica horas no telefone, não cansa e esquenta a orelha – a ponto de atacar a rinite. No celular o tempo passa, um homem entra, senta-se no banco a esquerda, ao lado do meu. O tempo passa, já não estou no celular, bate um sono, encosto no vidro, vou levar os meus olhos para a nuca. Ops.! Ouve-se um estalo de moeda na barra do ônibus, foi o cobrador. Um estalo muito forte, muito mais forte do que o comum que serve de sinal para que o motorista siga adiante após cada parada. Dessa vez não, e sim para o motorista parar o ônibus. E num dos pontos turísticos de Alumínio, fora a própria CBA, a famosa ponte do trem que atravessa a rodovia, o ônibus parou. Desceu o homem, aquele mesmo homem. O ônibus fica parado por um instante e logo as pessoas começam a entender que se tratava de um assalto. Os pertences de companheiros não foram violados, mas o caixa já era. Foi tudo, sem dó nem perdão. Agora, dá-lhe fazer BO nos becos ocultos da nova cidade citada na história, onde os responsáveis pelo setor nada fizeram. E como já estava atrasado, um pouco mais já não estava me estressava.
Enfim, essa tensão percorreu toda a viagem com troca de olhares cúmplices do cobrador e eu. Acho que ele esperava uma correspondência, no fundo talvez isso fosse só energético, porque essa tensão não era oriunda do assalto em si. Havia algo maior circulando nos meus pensamentos, algo como: o que será que o universo está conspirando? Nesse dia tudo exige muita atenção e espera-se o que acontecimento final. Qual seria? Será que o próprio assalto? Não sei! O que se pode saber dentro de tudo isso é que o último olhar foi o mais intenso, como se eu acariciasse o trabalhador acalentando-os dos momentos fatídicos.
O Trujillo já não parece tão longe. Estou atrasado, não vou conseguir participar do happy hour sãoroquense, chegarei muito tarde. Bora trabalhar e depois pensar nisso!
Tarefas corriqueiras de um estagiário são o que faço para o grupo Katharsis. Interessante, muito se aprende nesse meio. E no meio dessa tarefas a mesma amiga amistosa me liga novamente, ela tinha recebido a minha mensagem SMS – Somente Mensagem Simpática – contando sobre o assalto. Vale lembrar que naquele momento, após o assalto recebi outra ligação, de uma pessoa amistosa também. Até parece que as ligações entrecortam os fatos. Enfim, essa teia da vida, essa rede confusa de conexões, nos surpreende. Ela estava voltando de Alumínio e viu o ônibus encostado na ponte do trem, suscitando uma grande questão: por que o ônibus estaria parado ali, sendo que nem é um ponto?
Ora, quem poderá explicar isso? O ceticismo cientifico ou talvez o mundo etéreo exerça uma força maior?
Enquanto pensa-se nessas perguntas, voltemos ao trabalho até outro olhar súbito de pessoas estranhas, próximas a estranheza natural. Nada se explica, o tempo passa! Estou atrasado e irei perder o ônibus, saio correndo, esqueço de sacar dinheiro, não tem jeito vou perder o ônibus das 21h. Que droga! Saco dinheiro, vou em direção ao Terminal Irmão mais novo, paro numa lanchonete que todos que conheço acham um lugar agradável, mas nunca foram. Vale à pena comer um lanche! Caminho... continuo caminhando até o primeiro ponto após a rodoviária, lá chega a minha vez de ligar, eu ligo! Minha amiga amistosa, não vai rolar nosso happy hour, perdi o ônibus, acho que vou pegar o custo maior às 21h30. Assim foi!
Já no ônibus, o próximo ponto, uma mulher entra fascinada me olhando atentamente. Era ela, não minha amiga dos telefonemas, uma pessoa mais distante no tempo e coração bombeando fluídos conhecidos. Que saudades! Longa conversa. O dia era isso, esse encontro sublime. Um pensou no outro, ela pensou em mim durante o dia, até sonhou. E lá estávamos nós. Tentei de tudo, chegar mais cedo para sair mais cedo, sair mais cedo depois de atrasado e nada. Nossas histórias de viagens se confundem e por isso o ônibus nos comoveu.
Despeço-me dela, ainda tenho um pequeno trajeto até a minha cama, ansioso pelo Speedy. Tudo enfim parecia explicado! Mentira! Vou para frente do ônibus e lá fico observando a estrada com suas faixas hipnotizantes. Outro ser estar ao meu lado e parece quem penso que é, mas fico na dúvida. Melhor não olhar muito! Se for ela mesma, descerá no mesmo ponto que eu.
Era ela, desço do ônibus caminhando devagar, penso em deixar ela me ultrapassar. Só que antes disso, ouve-se: "não reconhece mais os amigos?". Era ela.
Eu poderia terminar aqui, já que gostei de terminar com a interrogação suscitante da última oração, na frase anterior, do parágrafo anterior. Se terminasse ali não teria porque estar aqui agora, algo mais ainda estava por vir, algo que me tirou o sono e revelou os caminhos que um dia alguém conhecido já trilhou e é chegada a minha hora, exatamente agora, 3h25 da madrugada de 16 de abril, pra mim ainda 15. À 1h e picado me ligam, À seguir um recado.
À mim chegam tudo, recados, ligações, conversas, etc. E nunca senti como se o meu interior fosse preenchido. Não entendo a busca que faço em tudo, onde quero chegar, o que quero almejar. Entendo pouco e desse pouco entendo que o meu espírito romântico, heróico a mercê das epopéias, não constitui nada de mal a ninguém – não quero participar de algo que faça alguém sentir-se mal. Esse alguém, um terceiro que nada tem a entender.
É assim que termino, ao som de Edith Piaf, Padam Padam. No aguardo do Speedy, encerrando às 3h45 o dia 15 de abril de 2009. Na convicção do meu corpo, da sua própria proteção. Nós dizemos adeus!
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