O sonho de muitos é estar na Bahia, em terras de San Salvador, juntar-se a Yemanjá e banhar-se nas águas de vossa mãe. Conhecer Itapoan, além da tarde que ela possa oferecer, regado a coco diante do sol no horizonte posto ao seu repouso. A lua já sob o céu estrelado preso a uma vara de pesca “de” pescadores no Rio Vermelho, e não “dos”. Essa é a Bahia que me envolve, que me fascina no susto e na beleza de sua fama, tanto quanto natural, tanto quanto fonte de inspiração das grandes obras artísticas. Reza a profecia que esta terra é de beleza rara.
Eu saúdo os passos de turistas entre quatro paredes no receio de que se rompam as fronteiras limiares da segurança dessa cara branca atolada de pelos e cabelo castanho que sou. Terra distante! Nunca fui visto assim! Qual a ironia sentir o preconceito pela pele, pelos poros que se abrem pra trocar substâncias com o ambiente, abertos para estabelecer comunicação, para conhecer. E como se fecham após uma triste desventura amorosa, de mesma origem de águas passadas, de mesma trilha, de mesmo frescor, de mesma dor, de passional, de água fervente em choque com gelo.
Tal estado cega! O corpo então está apático, tudo acontece e nada se vê. Esta é a hora dos infortúnios da vida turista. É quase déjà vu!
Fui eu, apaixonado, naquele estado bobo sem percebe o crime que cometia por estar aquém da reciprocidade, quem comprou algo sem sentido aparente pra aquela que tem um amante. Há verdades que não serão ditas aqui e que espero a memória seja suficiente para guardá-las no seu confim. E que enfim, sigo rumo ao seu lar prestar minhas singelas complacências as suas enfermidades, também sem sentidos aparente. Lá ela estava, deitada em sua cama, mas a três andares dos meus pés que não saíram dos primeiros degraus da portaria, onde lá fiquei, onde aguardava o vosso pai ao meu encontro. Não iria acordá-la, portanto deixei com ele a minha lembrança, que prometido não tinha, como mentiroso que disse só pra que adquirisse um sentido aparente maior do que o combinado entre dois simulacros de paixão, como disse, aquém da reciprocidade.
Por que reciprocidade? Ainda penso que nada é isolado, só passível de má compreensão. E se mal compreendo o que acontece, como esperar algo entre nós? É simples! Se eu te mando uma SMS, dependendo do que foste escrito, você me responderia com tal zelo e prontidão. Seria a enfermidade? Não sei.
Prosseguindo com a fracassada tentativa de explicar minha compreensão de tudo, segui o caminho pra UFBA, ou pelo menos, eu achava. Estava no mesmo estado que me norteou em janeiro numa fascinante aventura e apatia de meu corpo, para o tal fim dos jovens solitários de estômago e todos os órgãos me assaltarem. O mesmo aconteceu também! Algumas moedas, 3 reais e pouco, e um pacote de biscoito Bono. Considere que o presente sem sentido aparente entregue a amante mediante o pai foi comprado num mercado, que por sua vez, me fascinou com o preço do biscoito, 1,27 reais, acredita? Nem eu! Aí não resisti e comprei.
É, a Bahia não era tão linda assim! E ainda nem tinha conhecido alguma beleza baiana. Fiquei mais sem norte ainda que até confundi o caminho para a UFBA.
Como pode o mesmo acontecer? Ainda estou sem palavras...
O pouco que me restou desse dia foi sentar-me junto aos gatos ufbanos para inflamar uma espinha nas minhas costas. No entanto, aquela velha frase, que não me lembro ao certo, mas que diz que tudo pode acontecer num curto espaço de tempo, é verdade! Ainda se reservou muito mais pra uma ótima noite com pessoas muito agradáveis: filme regado a vinho e boa comida; e jogos divertidos! Quem era baiano? Eu não sei. Que não era? Ao certo eu sei que 3 não eram, mas poderiam ser mais e tantos outros poderiam ser baianos. A confluência de energia resultou numa experiência maravilhosa repleta de diversidade cultural.
Essa peripécia aconteceu num sábado. Na sexta compartilhei a minha ansiedade pela enferma que tem um amante com a incrível experiência de conseguir o ProAc/SP. Algo único para o Katharsis e que não pude desbravar esse mar de alegria com nenhum conterrâneo. Reserva-se a experiência da Linc/Sorocaba para uma realização profissional maior.
Num domingo então, pouco dormido por conta da noite anterior, porque não conhecer o MAM e seu pôr do sol a beira do mar num pequeno pontal sem barcos. O mar abaixo um pouco mais de um metro, a água vinha com uma leve força, batia na parede de pedra e retornava com a mesma força chocando-se com a força contrária. É como também me sinto referente a reciprocidade isolada do caso passional a qual me refiro.
Esse momento foi sublime! Um pontal com dezenas de pessoas num silêncio complacente em respeito ao sol, ao violão que repercutia em notas harmônicas e melódicas. Momento de escorrer uma lágrima no rosto, que me fez sentir a paixão pela Bahia, pela baía de Salvador. Que quis compartilhar com uma paixão enferma e “itinerante”, talvez seja isso, mesmo que tente refutar.
Ainda coube a minha querida hospedeira com suas manias retirar cravos do meu pescoço e rosto pra que fizesse desse momento algo humano, até a claridade do sol dar razão a da lua, para então não se ver mais do que rostos brancos, sem cravos, só corações amigos, de uma pureza que leva os anos a criar saudades. Eu me apaixonei pela Bahia, assim tu se salvas Salvador.
Nenhum comentário:
Postar um comentário